- 28 Jul 2010 - 15:14 - 15 Oct 2010 - 15:14
- 22 Nov 2010 - 14:54 - 26 Nov 2010 - 14:54

Um estudo da Associação Moçambicana para a Defesa das Minorias Sexuais - LAMBDA sobre vulnerabilidade e risco ao HIV/SIDA entre homens que fazem sexo com homens conhecidos pela sigla HSH, recentemente realizado em Maputo, constatou que os homossexuais, apesar de terem conhecimento sobre HIV-SIDA, muitos não sabem qual o risco de sexo homem/homem.
“Eles reconhecem que a melhor forma de prevencão é o preservativo. Contudo, o estudo apurou desistências no seu uso, uso imprório para além de outros comportamentos de risco. A desistência no uso do preservativo verifica-se nos relacionamentos tidos como duradoiros (nos casados), enquanto o mau uso relaciona-se com a aplicação de lubrificantes impróprios desde mayonese,amarula,manteiga, champoo, entre outros produtos, o que contribui para o rompimento do preservativo”, disse Danilo da Silva, coordenador da Lambda.
Outras práticas inadequadas relacionam-se a crença de que para se evitar o HIV-SIDA é preciso usar dois preservativos, o que acaba criando uma situação de rompimento e no facto de nos relacionamentos ocasionais, o uso do preservativo depender da decisão de quem paga.
O estudo, preliminar, cujo objectivo é a integração dos homossexuais face ao HIV/SIDA, apuramento do grau de conhecimento sobre o HIV/SIDA, as formas de intervencão entre outros detalhes, apurou que os homossexuais sentem-se discriminados em casa, na escola, nos serviços de saúde e outros locais públicos, lamentando a ausência de mecanismos de denúncia contra a discriminação sexual.
“Apesar de alguns afirmarem terem já feito teste de HIV-SIDA, há os que afirmam não confiar nos serviços de saúde por causa da confidencialidade”, disse da Silva.
O estudo recomenda uma série de medidas como o desenvolvimento de projectos específicos dos HSH, a expansão dos serviços como o acesso ao gel lubrificante, a combinação das práticas de mitigação conjugadas com os esforços de não discriminação e o acesso a informação.
Apesar de ao longo da história as relações homossexuais e principalmente HSH terem se destacado na transmissão do HIV-SIDA, Moçambique nunca reportou em nenhum relatório a situação dos homossexuais, "havendo um conceito de que estes não existem em Moçambique" de acordo com o coordenador da Lambda.
Dados indicam que na maioria dos países da África subsahariana, excepto, a África do Sul, as maiores taxas de prevalência do HIV/SIDA incidem sobre os HSH. Na África do sul, a proeza pela baixa dos índices de infecção dos homossexuais em relação aos heterossexuais deve-se ao facto de terem sido os próprios homossexuais a tomarem a dianteira na mitigação da doença.
Estudos indicam que a heterossexualização do HIV-SIDA e o desenvolvimento de campanhas de prevenção voltadas á população em geral,teve efeitos indesejados em países da América central, como México e Colómbia ao tornar invisível a populacão HSH. Este é o motivo, segundo alguns analistas, porque os esforços de prevenção não serão suficientes até que sejam encontradas respostas específicas para problemas específicos.
Homens que fazem sexo com homens-HSH é o termo que utiliza-se na avaliação do risco de doença, em vez de "gay", "homossexual" ou "bissexual" porque faz referência a um comportamento de risco e não uma identidade que pode, ou não, acarretar este comportamento.